António Gentil Martins foi o orador convidado para mais um jantar palestra do Rotary Club de Torres Vedras, no passado dia 15 de abril. O conhecido cirurgião pediátrico falou sobre o tema «Responsabilidade em saúde».
"Nós somos o resultado do nosso estilo de vida que temos ou que tivemos", começou por alertar o médico na sua intervenção. Especialista em oncologia pediátrica e cirurgia plástica, ficou sobretudo conhecido pela separação de sete pares de gémeos, com nove sobreviventes, tendo realizado ao longo da sua vida profissional mais de 12 mil intervenções cirúrgicas.
Mas Gentil Martins teve também outras atividades, entre as quais a sua participação nos Jogos Olímpicos de 1960 na modalidade de tiro, praticou ténis e toca violino. Foi ainda presidente da Associação dos Atletas Olímpicos Portugueses e bastonário da Ordem dos Médicos.
Na sua opinião, a alimentação e o estilo de vida são fundamentais para uma velhice saudável, logo a partir da infância e da adolescência. Se dormirmos mal, não fizermos exercício físico ou não soubemos comer bem durante a juventude, podemos ter uma vida longa mas de pouca qualidade, defendeu o médico e professor universitário.
Numa abordagem política ao sistema de saúde, Gentil Martins disse ainda que todos temos direito a cuidados médicos, mas seria importante implementar o sistema de livre escolha, porque nem todos podem ter acesso a tudo. O essencial, no seu entender, é haver cuidados de saúde primários que abranjam toda a gente.
Crítico das notas demasiado elevadas para entrar num curso de Medicina, porque "ser médico é uma vocação, não é necessário só ser bom aluno", Gentil Martins defendeu ainda o regresso às visitas domiciliárias dos médicos. "Num surto de gripe os doentes devem ser vistos em casa e evitar ir ao hospital espalhar o vírus", sublinhou. Assim como as visitas de médicos especialistas aos centros de saúde, para ajudar os médicos de clínica geral.
"Em vez de um Serviço Nacional de Saúde devia haver um Seguro Nacional de Saúde", defendeu ainda o clínico. Mas, na sua opinião, "os governos só vêem dinheiro e estatísticas, não vêem os doentes e aquilo que e/es sentem". Gentil Martins reforça que as pessoas querem é ser bem tratadas e que um SNS gratuito para todos só veio provocar listas de espera. No seu entender, o privado, o público e o social devem ter tratamento igual, porque dessa forma o SNS não funciona.
Nesse jantar com palestra do Rotary, clube que este ano é presidido por Ana Margarida Santos, estiveram presentes vários convidados, como o vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Bernardes; e o diretor clínico do Campus Neurológico Sénior, Joaquim Ferreira.
Fonte: Jornal Badaladas
Escrito por: Joaquim Ribeiro
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