Minhas amigas e meus amigos,
Daqui a três dias vai realizar-se a III Conferência Interdistrital do Rotary em Portugal e a 67ª Conferência do Distrito 1960.
Desde 1 de Julho de 2012 que sirvo como Governador de Distrito 1960 em Portugal.
Visitei 69 clubes rotários de Castelo Branco a Vila Real de Santo António passando pelo arquipélago dos Açores e Madeira, tudo em quatro meses. Estive no Instituto de Amesterdão, no fórum da Paz em Berlim e na Assembleia Internacional de San Diego.
Sou hoje uma pessoa diferente. Sirvo como Governador a maior organização não governamental do mundo e a única com assento permanente na Organização das Nações Unidas e que há mais de um quarto de um século tenta, e com sucesso, erradicar a Pólio do mundo, dar educação e alfabetização, água potável e cuidados sanitários nos locais mais remotos do mundo, promove a qualificação profissional dos nossos jovens, e com tudo isto é o testemunho vivo de como em 204 países diferentes onde está presente, no dia a dia, acção a acção, gesto a gesto, constrói a Paz no mundo.
Sou uma pessoa diferente mas cada vez mais feliz por ser rotário. Visitei mais de uma centena de Instituições Particulares de Solidariedade Social em Portugal dedicadas ao combate à fome e à pobreza, à inclusão social dos desfavorecidos, e testemunhei o carinho dado a tantas pessoas que apesar de serem catalogadas como “diferentes” têm tanto carinho para dar.
Encontrei o Portugal de hoje. Fui recebido por 73 Presidentes de Câmara e pelos Presidentes dos Governos Regionais dos Açores e Madeira. Vivemos uma situação que mais que difícil é crítica. O nosso país tem uma excelente rede social de Instituições Privadas que se substitui ao Estado onde o Estado não consegue estar, e isso só sucede pela dedicação e amor de tantos e tantos voluntários que vivem a sua vida sob o lema “Dar de Si Antes de Pensar em Si”: justamente o lema do Rotary, e não será por acaso que uma boa parte destes voluntários são Rotários. Rotários que têm por opção de vida ajudar o próximo, e não fazer disso uma notícia ou divulgar como orgulho o que fazem pelos outros, ou o que aparentam fazer.
Todos quantos me conhecem e são meus bons amigos sabem que não exteriorizo as minhas emoções. Muitas vezes chorei por dentro sem que os meus olhos me traíssem. Dancei com autistas, partilhei o conforto de salas de Snoozlen, convivi (e os meus filhos também) com crianças institucionalizadas privadas da sua família biológica, tive no colo bebés abandonados, entreguei dezenas de bolsas de estudo a jovens que de outra forma teriam de abandonar a escola. E tantos outros momentos que recordo na minha alma.
Fui colocado à prova fora da minha zona de conforto e isso fez-me crescer e ser mais maduro.
Por outro lado, experimentei o ácido gosto do “poder”. Essa ilusão que pode muito facilmente fazer vacilar os fracos. Fui em todos os clubes recebido como se fosse o “melhor de todos”. Recebi elogios e elogios; apoio; lealdade e consideração e respeito.
Esse ou este “poder” não é nada. Esfuma-se quando termina o nosso mandato. Espero que os me sigam entendam que quando se sentem Generais estão a um passo de voltarem a ser Soldados. Os Soldados da Paz.
Simultaneamente, recaiu sobre mim a responsabilidade de estar como Chairman da Convenção Internacional de Lisboa 2013, o maior congresso de sempre já realizado em Portugal, (em que se espera a participação de cerca de 25.000 rotários e que se vai traduzir numa receita de 77 a 100 milhões de euros para Portugal). Pois bem, hoje temos mais de 21.000 inscrições de 156 países. E vamos fazer a melhor Convenção de Rotary, e ajudar para que as futuras Convenções sejam ainda melhores que esta.
Se tiveram paciência para ler tudo quanto disse até ao fim compreendem como termino.
Eu sou feliz. Eu amo o Rotary.
Obrigado.
Luís Miguel Duarte
Rotary International
Rotary Torres Vedras
Apresentação nos 30 anos do Clube
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