Companheirismo deveria ser o primeiro objetivo de Rotary.
O tema proposto com certeza despertará a crítica contundente de muitos companheiros, pois ouso inverter uma pirâmide que se baseia no servir, para propor que a base passe a ser o companheirismo.
As razões que justificam este diálogo tiveram origem na frustração que tive ao ingressar no Rotary.
Pensei que rapidamente iria formar um novo e grande grupo de amigos, mas lamentavelmente, isto não aconteceu.
Nas duas veses que fui Presidente, e até alguns outros Presidentes que me sucederam, fizemos ao longo do ano, reuniões de companheirismo com a Família Rotária.
Aqui o nosso Presidente, Vitor Brettes, Vitor Antunes, Mario Ribeiro, Vasco Fernandes, Ana Margarida, Luis Perdigão, Ferreira Nunes, Adérito Castelo, disponibilizaram as suas casas e que bem fomos recebidos. Todos se lembram, tenho a certeza.
O tempo passou, a fraternidade pela convivência aumentou, mas a amizade esperada não proliferou como era a minha expectativa inicial.
Refletindo sobre o problema, cheguei à primeira lamentável conclusão: Sócios do Rotary, aqueles que só comem e aplaudem são muitos, mas rotarios, aqueles realmente vivem os objetivos de Rotary, infelizmente são poucos.
Ao ler alguns ensaios sobre Paul Harris, ficou claro que o seu objectivo inicial era reunir colegas num ambiente informal de amizade, daí a primeira reunião de Paul, Silvester, Gus e Hiram em 23 de fevereiro de 1905. A ampliação do grupo e, a fundação do Rotary, deveu-se à filosofia de Paul Harris, na qual, somente a amizade permite a tolerância política e religiosa, para finalmente propiciar o servir.
Outro atestado do nosso fundador de que a amizade era a pedra basilar da nossa instituição, foi quando juntamente com “Bonnie Jean” sua esposa, batizaram o bairro de Morgan Park onde moravam em Chicago, com o nome de Comely Bank (Ribanceira Graciosa), e chamaram à sua casa de “clube das conversas”, pelas frequentes reuniões que promoviam recebendo amigos. Aí era frequentador assíduo Silvester Schiele, amigo inseparável e que morava próximo, tendo a separá-los um bosque de carvalhos. Na trilha percorrida por eles era fácil identificar as marcas dos seus sapatos, daí este recanto ficou conhecido como o “Bosque da amizade”.
A preocupação de Paul Harris com amizade consubstancia-se neste seu pensamento: “Deus permitiu que a minha visão fosse curta para as imperfeições dos homens e das nações, e aguda para as suas virtudes”.
Como dei a entender, o individualismo é a grande barreira que precisamos transpor para sermos rotarios. Por sua causa, não conseguimos desenvolver o real companheirismo (amizade) dentro dos nossos clubes e entre os clubes de Rotary. O individualismo contaminou os nossos dirigentes, pois cada um ao exercer o poder quer deixar a sua marca inscrita para aquilo que pensa que será a posteridade.
Esquecemos que nós iremos e o Rotary ficará.
Por não sermos amigos, as nossas ações de servir são dispersas e algumas vezes efemeras. Juntos teríamos uma potencialidade incomensurável, mas preferimos por amor-próprio conviver com o desperdício. Enfim, em vez de nos juntarmos, nos separamos cada vez mais, a medida que o tempo passa.
A nossa individualidade chega ao ponto de não termos uma sede, daí vivermos isolados administrativamente e submetidos a certa má vontade dos locais onde nos reunimos. A sede própria seria um sonho viável? Com certeza. Seria possível e sem grandes custos para o clube de Torres Vedras e abrigaria tanto o espólio do Clube,e teria um mini centro para reunirmos e um espaço de convívio e descontração.
Penso que seria uma maneira de evitar a evasão do Rotary, aumentar a frequência e o servir.
Só vejo uma saída, exercitar o companheirismo por todos os meios.
Boaventura Nogueira
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